Isaac Fernandes Montana, Oscar Montana e Marcos Lojo (Foto: Lisa Roos)

CEO de uma bodega familiar que atua no mundo dos vinhos desde 1920, na Espanha, a Marqués de Tomares, Oscar Montaña Porres (na foto, ao centro) é da quarta geração de uma das mais importantes castas de vinhateiros da Europa. Localizada em Fuenmayor, na região de Rioja Alta, norte da Espanha, a vinícola é resultado de muito esforço e dedicação para sempre produzir vinhos de qualidade. Na carta de produtos, se destacam os rótulos Don Román, Marqués de Tomares Crianza e o MT Selección de la Familia, entre os mais vendidos no Brasil.

A sede da vinícola, construída em 1989, conta com alta tecnologia para elaborar vinhos que vão de encontro aos conceitos que permeiam os vinhos espanhóis atualmente. O país, um dos mais antigos produtores da bebida que se tem notícia, reinventou seu modo de fazer vinhos e, atualmente, apresenta uma produção diversificada e de alta qualidade, dos alegres e frutados aos complexos e longevos.

Em Porto Alegre, para lançar, ao lado dos enólogos Marcos Lojo e Isaac Fernández Montaña, vinhos do Grupo Premium Fincas que serão importados pela Porto a Porto, seu mais novo empreendimento, o renomado produtor conversou com a Revista Sabores dos Sul sobre os desafios de exportar seus produtos para o Brasil e produção nacional de vinhos.

Brancos e tintos elaborados em regiões como Galícia e Ribera del Duero são lançados no Brasil

Qual é a importância do mercado brasileiro para a comercialização dos vinhos da Marqués de Tomares?  Para nós, é um dos mais relevantes mercados que temos. Vendemos em, mais ou menos, 41 países e o Brasil é o mais antigo consumidos de nossos vinhos, desde 1999 vendemos para cá. Eu gosto muito deste país, desde a primeira vez que vim para o Brasil, ainda um menino. Me chama muito a atenção a semelhança entre espanhóis e brasileiros, somos parecidos em vários aspectos, desde o jeito de conversar até na forma de consumir vinhos.

+Porto a Porto importará linha Premium Fincas para o Brasil

Como foi o crescimento do consumo de vinhos pelos brasileiros nas últimas décadas? Foi muito grande. Desde o início dos anos 2000 até quatro anos atrás, o aumento das vendas foi significativo a cada mês. Com a crise que atingiu o país, houve uma queda brusca nas vendas entre 2012 e 2016, quase uma parada. Este ano, 2017, está sendo de retomada no consumo dos vinhos e espumantes espanhóis. No Rio Grande do Sul, no primeiro semestre, tivemos um crescimento de 35% da comercialização dos nossos produtos. Vendemos 4 mil caixas a mais que nos seis primeiros meses do ano passado.

+Conheça os vinhos da Marqués de Tomares importados para o Brasil

O Brasil não vende vinhos, mas impostos. Mais da metade do valor pago pelo consumidor final é tributo. Como é exportar para um país com tamanha carga tributária? É difícil. Primeiro pela burocracia, é um dos países mais complicados em termos de documentação, licenças e logística. Depois, o imposto é uma barreira muito grande. Apesar que o vinho nacional também é taxado em mais de 50%. Isso é um problema, mas os consumidores, aos poucos, vão vencendo essas barreiras e apreciando, cada vez mais, o vinho importado.

Entre os rótulos mais vendidos pela Marqués de Tomares se destaca a Cava Don Román

Como você vê a qualidade dos vinhos produzidos aqui? As espumantes daqui, da região da Serra Gaúcha, são muito boas. Os vinhos são diferentes, principalmente os tintos, pelas questões de clima e solo. O Brasil é um país rico. Você atira uma fruta na terra e nasce uma árvore. Nós, lá na Espanha, precisamos trabalhar o solo, temos de ter muita dedicação para conseguir cultivar. Na minha região, em Rioja, a terra é muito pobre, não tem matéria orgânica.

Alguns vinhos da Marqués de Tomares importados pela Porto a Porto (Foto: Sabina Fuhr)

Se tivesse que produzir vinhos no Brasil, qual região escolheria? Sem dúvidas, a Serra Gaúcha. A principal região produtora deste país. Depois de tanto produzir aqui, começaram a tentar produzir vinhos no interior São Paulo e na Bahia. Veja só o exemplo da Bahia. Lá é muito quente, então difícil de produzir. Com duas colheitas, a planta não descansa. É imprescindível para a fabricação de bons vinhos ter plantas saudáveis. Se ela passa o ano produzindo frutos, logo, ela não descansa. Uma videira, como todos os seres, ela tem enfermidades e o frio destrói bactérias e fungos, por isso é importante. No calor, estas doenças estão sempre presentes. Tenho dúvidas se um vinho produzido nestas condições é bom.

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