Cada vez mais a bebida oriental vem ganhando espaço no país da caipirinha.

Quem é consumidor assíduo de temakerias e restaurantes japoneses com certeza já provou. Quem ainda não conhece, quer provar. O saquê, bebida originalmente japonesa, é um fermentado do arroz que contém apenas 16% de teor alcoólico. O seu sabor, exótico, engloba o doce do arroz, acidez, leve amargor e o umami. Produzido antigamente de maneira artesanal, o saquê tem como principal ingrediente a variedade japonesa sakamai, um tipo de arroz que contém o amido concentrado no centro de cada grão. Para a produção, fungos, leveduras e água são adicionadas ao arroz, onde o amido se transforma em glicose e de glicose em álcool.

Além de conhecer as características, quem deseja saborear o líquido deve identificar qual é a temperatura correta para cada opção. Segundo a Sonia Yamane, Saquê Sommelier formada pela Instituição Japonesa SSI (Saquê Service Institute), o saquê normal, conhecido como honjozou-shu e o junmai-shu, pode ser servido frio, aquecido e também na temperatura ambiente. Neste a variação entre temperaturas pode ser entre 5º C a 55º C. Já nas opções ginjo-shu, daiginjo-shu e o namazake (não pasteurizado), a bebida deve ser degustada somente fria. “O aquecimento deve ser feito em banho-maria, provando seguidamente para ver quando a temperatura está ideal para consumo”, explica Sonia.

Apesar de ser tradicional, o sal quando adicionado na borda do copo pode mascarar o sabor natural do saquê. Yasmin Yonashiro, também graduada pela instituição japonesa, ressalta que esta tradição segue tempos antigo, quando os donos de bares tinham que adicionar o sal para balancear o sabor. Hoje, por conta da modernização da produção da bebida, este hábito pode ser descartado. “Assim como o vinho, o saquê deve ser harmonizado com a comida, mas não o combine com o sushi, já que os dois são feitos de arroz.”

Quem adora investir e descobrir novidades pode desfrutar de opções nacionais. As marcas Jun Daiti, Azuma Kirin, Tikara, Fuji, Okinawa e Seishu são exemplos produzidos no Brasil com qualidade garantida. Juntamente a mania do sushi, o que vem dando o que falar são os drinques produzidos através da bebida. Caipirinha, martinis e misturas refrescantes estão nos cardápios de vários restaurantes brasileiros, que não deixam de apostar também no modo tradicional de se beber.

O consumo no Ocidente
A comida japonesa está em alta em todo o Brasil. O apetite por sushis tem feito o número de restaurantes especializados crescer consideravelmente nos últimos anos. Nesta onda de interesse pela culinária nipônica, o saquê também caiu no gosto popular. .

O crescimento da mania japonesa vem trazendo bons frutos para os produtores brasileiros. O saquê, segundo pesquisa, tem sido pedido 30% mais a cada ano. Para Sonia, isso se dá pela melhoria da qualidade dos produtos, o que está cada vez mais instigando os interesses dos brasileiros: “O consumidor brasileiro agora está interessado em conhecer as características do saquê”. .

Yasmin está confiante e acredita que o futuro da bebida nas terras brasileiras é promissor. “É muito gratificante ver que o paladar do brasileiro aceita bem o saquê, por ser uma bebida gostosa e ver também como o mercado está crescendo e mudando cada vez mais”. .

O Rio Grande do Sul também acompanha este interesse crescente pelo saquê. A preferência no Estado é principalmente pela versão em drinques. O baixo teor de álcool (15%) é apontado como um dos pontos a favor dos drinques feitos com a bebida símbolo da cultura japonesa. E a predileção é das mulheres.

Cristiano Ribeiro, sócio do restaurante San Tao (www.santao.com.br) de Gramado tem notado que o consumo de saquê vem crescendo ano após ano. Também nota em seu restaurante que os clientes preferem ainda bebê-lo em drinques, na forma de saqueritas (versão nipônica da marguerita). “São poucos clientes que gostam de beber o saquê puro como o vinho, o que seria uma das formas mais corretas.”

No Gokan (www.gokan.com.br), em Porto Alegre, o chef Paulinho Correa destaca que os clientes do restaurante estão em busca de descobrir novos sabores e o consumo de saquê faz parte destas descobertas. “A valorização da bebida é proporcional a crescente valorização da culinária japonesa”, afirma ele, destacando que os drinques feitos com a bebida, como o caipisaquê (caipirinha de saquê) estão entre os campeões de consumo.

Serena Kakuta Linhar, chef proprietária do Shissô (www.shisso.com.br), em São Leopoldo conta que o consumo do fermentado de arroz já é tradição no seu restaurante desde que abriu, há 14 anos. O que tem despertado o interesse do comensal são opções como saquerinhas de morango ou kiwi, que vem a ser as frutas maceradas com açúcar, gelo e saquê.

Apesar da Lei Seca, que fez diminuir a venda de bebidas alcoólicas de um modo geral, Maurício Kirsch, proprietário do Takeshi (www.takeshi-nh.com.br), de Novo Hamburgo, nota que o saquê cada vez mais cai no gosto dos gaúchos, principalmente no formato de drinques com frutas.

Na hora de inventar seu drinque use a imaginação, porém, segundo Yasmin, algumas combinações são especialmente bem-sucedidas com a bebida, como a uva itália, as frutas vermelhas, a lichia e o kiwi – enquanto que limão não é indicado.

Qual é o copo ideal para se beber Saquê?
Masu: o masu (copo quadrado) no Japão só é usado como utensílio de medida e cerimoniais. Ele é um símbolo do arroz e do Saquê. Mas no Brasil, faz parte da cultura do brasileiro.

Taça: é a forma que se consegue perceber aroma, sabor e cor. Assim, o Saquê é analisado de forma plena. Bastante utilizado em degustações de bebidas.

Choko: é um tipo de copo bem comum no Japão para se tomar Saquê. Existem diversos tipos diferentes que podem ser utilizados para tomar Saquê frio ou quente.

Dentre eles existe o kikichoko que é próprio para degustação, muito utilizado pelos produtores. Apresenta em seu fundo duas listras azul royal para visualizar melhor a coloração do Saquê.

Sakazuki: é um tipo de copo usado também no Japão para tomar Saquê que parece um pires com pé.

Podemos guardar o saquê na geladeira?
O saquê por ser fermentado e sem conservantes deve ser consumido totalmente em no máximo duas semanas depois de aberto, já que o contato do líquido com o ar faz com que a bebida esteja em constante reação. Se você não conseguiu consumir todo o conteúdo, guarde o saquê na geladeira na posição vertical.

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