Eu no Quintana Bar com todas as comidas típicas: feijão mexido, carreteiro, tainha, pirão, farofa e espinhaco com aipim

Por Graciela Martins –

A comida de um povo fala muito da sua identidade, da sua cultura. Os ingredientes, as misturas, os rituais de preparo e o modo de servir vão muito mais além do que alimentar, revelam um grande Patrimônio, a comida de cada local.

Eu vejo a comida como cultura assim como são os ritmos de cada região, as danças típicas e as vestimentas, porque não? Em 2010 a UNESCO reconheceu a Comida Mexicana como patrimônio cultural imaterial da humanidade  afim de preservar as expressões culturais.

Durante os festejos farroupilhas pude presenciar esta expressão cultural sendo praticada dentro de uma escola estadual aqui da minha cidade, era o Concurso de Melhor Carreteiro.

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Aluno competidora do Concurso de Melhor Carreteiro

O desafio dos alunos era pesquisar o prato tão comum nosso e reproduzir a receita. A regra exigia que os alunos executassem a receita tradicional, ou seja, arroz, charque e água. Foi lindo ver estes jovens estudando a cultura gastronômica do nosso estado e cozinhando com amor e disposição.

Como manter a tradição?
O que me leva a um questionamento: Como manter a tradição em tempos de tecnologia e com tanta fartura de ingredientes? Como executar um prato tão antigo, mantendo a tradição, se utilizando de tudo que hoje temos a nossa disposição sem perder a essência, sem descaracterizar um prato?

É o caso típico do nosso amado carreteiro, que primariamente era feito com charque, arroz e água apenas. ”Na época havia a limitação de insumos, se respeitarmos  os ingredientes principais, podemos ter coadjuvantes. O original pode estar ligado ao meio, ao momento, a necessidade”,  conta  o Chef Marcos Livi , que é proprietário do Quintana Bar em SP, um lugar que serve a comida típica Sulista sem perder a sua essência. Carreteiro, matambre e espinhaço de cordeiro, são alguns dos pratos servidos por lá.

Conversei também com a chef de cozinha Ana Claudia Heidel que além de ser uma cozinheira de mão cheia, é uma grande pesquisadora da nossa história à mesa. ”O que descaracteriza um prato é o excesso de modernidade, exagero de elementos, cocções mirabolantes, manter o mínimo de relação histórica com o prato é o segredo. ”

Enfim, por mais que estes termos estejam manjados já, eu afirmo, Comida é Resgate, Comida é Cultura!

Meu primeiro doce de abóbora
Ganhei de uma aluna uma abóbora de pescoço enooooorme e não pude pensar em outra coisa senão o doce de Abóbora que era preparado por minha avó.

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Pesquisando sobre este doce, percebo que as receitas se diferem praticamente em usar ou não a cal virgem. Eu preferi usar já que aprecio aquela casquinha mais firme contrastando com a maciez de dentro, no mais, as especiarias como cravo, canela em pau, anis estrelado, cardamomo, fica por conta do paladar de cada doceira.Quanto a calda, é aquela básica de água e açúcar.Amigos, lembrem que a abóbora solta muito líquido! O tempo do molho na cal pode variar de 1 ou 2 horas, pois tem gente que curte bem cascudinha, eu preferi deixar apenas uma hora. Seguem as proporções aproximadas de ingredientes, pois confesso, fiz a receita de olho…

!O tempo do molho na cal pode variar de 1 ou 2 horas, pois tem gente que curte bem cascudinha , eu preferi deixar apenas uma hora.
O tempo do molho na cal pode variar de 1 ou 2 horas, pois tem gente que curte bem cascudinha , eu preferi deixar apenas uma hora.

MOLHO:

1 kg de abóboras picadas médias (ou como você preferir o corte)

1 colher das de sopa bem cheia de cal virgem (peça na loja aquela que pode ser usada para doces)

Cobrir com água as abóboras juntamente com o a cal. Deixar de molho de 1 a 2 horas.

Lavar muito bem após este tempo em água corrente.

CALDA:

A dica é que enquanto a abóbora está de molho, você já vai preparando a calda.

Para 1,5 lt de água podemos usar 500 gr de açúcar aproximadamente. O que é suficiente para 1 kg de abóboras, nestas proporções a calda não ficará doce demais nem grossa demais.

Eu usei 2 canelas e 5 cravinhos para cada quilo de abóbora. E deixei a calda em ponto de fio.

Quando a calda já tiver atingido este ponto, o que dá aproximadamente uns 30 a 40 minutos de fervura em fogo médio, eu acrescento as abóboras e deixo elas cozinharem até amaciarem.

HIGIENIZAÇÃO:

Para os vidros que serão utilizados, o ideal é levá-los em uma grande panela com água para ferver , potes e tampas juntamente.Depois disso basta preencher com o doce e está pronto!

Por incrível que pareça nunca havia feito este doce, ficou tri bom vale a pena testar!

Um beijo cheio de graça e até a próxima!



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