Por Graciela Martins – 

Estou na famosa Praça Antonio Prado no centro de São Paulo, meu destino é a Casa Mathilde inaugurada em 2013 com um cardápio 90% conventual.

Sou recebida com um sorriso pela recepcionista. É cedo e o extenso balcão de vidro está livre e disponível para olhar com calma cada doce. Sou atendida pelo gentil Carlos Santana. Percorro a vitrine… Travesseiro de Cintra, Toucinho do céu, Jesuíta, São Bento. Meu Deus! São tantos doces delicados e você percebe o amor e cuidado, quase que religioso, de preparar cada um que se tem vontade de abraçar um monte deles. O atendente me explica como é preparado cada doce, meu amor só aumenta.

Peço para conhecer o chef que por minha sorte, está disponível no momento.

A casa mantém receitas originais, trazidas de Portugal. Crédito: Graciela Martins

Joaquim Barroso, confeiteiro há 26 anos, me recebe com muito carinho e me conta um pouco da história do local.

A Casa foi fundada em Portugal, em 1850, produzindo os tradicionais doces de convento, porém depois de muito tempo fechou. Em em 2012, ele me conta que quatro sócios portugueses vieram ao Brasil para sondar o mercado. Foi quando os empresários decidiram comprar a marca Casa Mathilde e trouxeram para cá confeiteiros portugueses, um deles é o Chef com quem converso.

Pergunto a Joaquim qual a receita do sucesso da casa, já que estão há apenas 4 anos no Brasil e já contam com 3 premiações de melhor doçaria de SP. Ele afirma que o segredo é a fidelidade das receitas originais. Ainda lembra que a receita mais antiga é a do Pastel de Nata ou de Belém como alguns chamam.

Questiono então como fizeram para terem receitas fidedignas com a dificuldade de trazer os ingredientes de Portugal. O chef explica que foram feitos muitos testes com nossos ingredientes e se orgulha em dizer que atualmente os insumos usados são 100% brasileiros. Foram feitas adaptações como o açúcar de beterraba, usado em Portugal, para o nosso açúcar da cana. Também não abre mão de usar ovos caipiras, outro segredo do sucesso nas adaptações.

A Casa foi fundada em Portugal em 1850 produzindo os tradicionais doces de convento. Crédito: Graciela Martins

Joaquim avisa que a Casa está em fase de testes para um futuro trabalho com doces sem glúten e sem lactose. O bacana é que ali tem uma cozinha de vidro que podemos vivenciar a produção de alguns doces, além da possibilidade de visitar a cozinha com horário marcado. Vaidoso, enquanto a conversa se encaminha para o final, o chef me convida a experimentar um pastel de nata quentinho recém-feito, me derreto.

A massa faz croc a cada mordida, o creme ainda morno junto a massa amanteigada se desmancha na minha boca. Sabor do Céu. Saio abraçada e certa que cada prêmio ali foi merecido.

Na sua próxima ida a São Paulo não perca tempo e vá direto a Casa Mathilde e se prepare para se sentir no céu.

Beijos doces e até a próxima.



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