A conversa de chef desta semana fala sobre o porto alegrense Tales Pacheco, um apaixonado pela arte, seja na cozinha ou na pele.

Atualmente, o cozinheiro e tatuador Tales Pacheco segue com o projeto de um atelier de arte e gastronomia em Guarapuava (PR), grande polo cervejeiro. Lá ele trabalha com comida brasileira de fusão e desconstrução, transformando as suas duas grandes paixões em uma coisa única. “Pintando acabo por pensar em molhos e, às vezes, as cores dos pratos me fazem pensar que determinada tattoo poderia ter aquele tom, psicologicamente tudo se mistura e acabo sendo um só,” diz Tales.

Segundo o chef, a gastronomia caminha para a arte, para a valorização de produtos orgânicos, para uma evolução desenfreada da criatividade vital do ser de querer algo diferente. Com esse pensamento, o chef expande o seu trabalho tanto na rua quanto em restaurantes. “Vivo cozinhando na rua. Tenho o Comida de Boteco de Rua e a Hamburgada, ambos muito bem recebidos pelo público”, comenta o chef. Segundo ele, o fato da comida gourmet sair dos restaurantes “deseletilisa” a gastro.

A busca pela profissionalização veio no momento em ele já estava cozinhando com frequência para muitos amigos e reunindo um grande número de pessoas em casa. A preocupação de aproveitar ao máximo os alimentos e não estraga-los foi o pontapé inicial. Com 8 anos de experiência na cozinha, começou trabalhando no Urucum na Praia do Rosa. “Me apaixonei pela cultura do local, e percebi que poderia conhecer um povo por sua comida”, comenta o chef. Outros restaurantes da Praia do Rosa, como o Sapore di Pasta da Praia do Rosa e o Tigre Asiático também trouxeram grandes experiências para Tales.

Chef Tales Pacheco
Chef Tales Pacheco

A culinária do lugar de onde tu é influencia na tua comida? De certa forma o local sempre influencia em minha comida, pois acabo uso produtos de fornecedores da região, como os de pequenos produtores familiares.

Qual a maior dificuldade da carreira? Acho que a dificuldade de cozinhar se confunde com o fato de saber lidar com os ingredientes locais, além do desafio de sair da zona de conforto do que se sabe fazer e enfrentar novos desafios, novas receitas com produção local e ser criativo a todo momento.

A culinária de qual país te encanta mais? Bom, me encanto por tudo, pois todas são curiosas e muito peculiares. Mas a minha favorita é a brasileira. O nosso país é muito lindo e cheio de ingredientes exóticos. Para mim, ser global é ser regional.

Como tu faz para conciliar a cozinha e a tatuagem? Acabo separando os dias para desenhar e nunca tatuo em dia de produção gastronômica. Mas sempre treino novas experiências na cozinha e ambas as artes estão em mim.

O que te inspira na hora de preparar os pratos? A inspiração é a beleza que é a cultura de um povo, assim como a origem histórica da receita e das pessoas locais. Acredito que cozinhar é entender o ser humano em sua busca pela sobrevivência.

O que tu acha que torna o teu prato diferente dos demais? Acredito que a minha arte torna meu prato diferente, pois não estou só cozinhando, estou experimentando. Assim como na arte, a comida é a ponte para a vida

O que é comer bem hoje? Acredito que seja comer um alimento fresco, feito por alguém que ama cozinhar e que vai te servir como quem serve um filho, que quer que cresça saudável.

Qual o teu ídolo na cozinha? Acho muito massa o trabalho do Alex Atala, pois ele elevou o valor dos produtos que temos aqui no Brasil.

Alguma pessoa em especial para quem você gostaria de cozinhar? Gostaria de cozinhar para a minha mãe que morreu muito jovem, e que não cozinhei pra ela.

Qual a dificuldade de ser um empreendedor nesta área? No meu caso, a desvantagem de ser um empreendedor é que a maioria das pessoas não entende o link que faço entre arte e gastronomia. O que, para mim, não tem diferença alguma. Na arte você transforma e reproduz a matéria, muda texturas e o sabor é do espirito. Na gastronomia também transformamos a matéria e alimentamos a alma e o corpo. Difícil é encarar o tempo que as pessoas levam para compreender isto. Acredito que aqui no Paraná há mais receptividade a isto.



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