Por Igor Amaral – 

No início de uma agradável noite de setembro, desembarcamos em Garibaldi, na Serra Gaúcha, para conhecer a história da mais antiga produtora de champanhes do Brasil, a Peterlongo. Fomos recebidos por Luiz Sella, sócio-diretor, Helen Kaipper, gerente de marketing e João Ferreira, gerente de turismo. Durante 4 horas, mergulhamos no universo Peterlongo. Conhecemos o passado, o presente e vislumbramos o futuro da empresa. Tudo isso regado a muito champanhe e espumante e, claro, no final um jantar harmonizado com os melhores rótulos da empresa.

A história
A vinícola Peterlongo nasceu do sonho de um homem só. O italiano Manoel Peterlongo desembarcou em Garibaldi, no ano de 1899.
Como parte do acordo de migração, o italiano trabalhava para o governo, em troca ganhava porções de terra e pedras. Em poucos meses, ele já possuiu um terreno de 96 mil metros quadrados, cercado por pedras de basalto. Lá, também foi construído um imponente casarão, chamado de castelo. E lá, a família plantou a semente de um grande patrimônio: A Vinícola Peterlongo.

Na foto, Armando Peterlongo confere a produção de vinhos
Na foto, Armando Peterlongo confere a produção de vinhos

Logo, a empresa começou produzir espumantes com as uvas que plantava, seguindo o mesmo método utilizado na região francesa de Champagne. Ele mesmo escavou a terra e encontrou os lugares mais frios e úmidos, propícios para a produção das bebidas. O conhecimento de Manoel para produção de champanhes é uma incógnita. Uns diziam que ele tinha um livro do francês Don Pérignon; outros, que ele aprendeu as técnicas com o Irmão Pacômio. Apesar das versões antagônicas, a única verdade é que ele tinha o sonho de realizar no Brasil o mesmo método utilizado pelos franceses: uma segunda fermentação natural na própria garrafa, conhecida como champenoise. Essa produção iniciou de forma artesanal no porão de sua casa. Em 1913, ganhou uma medalha de ouro na primeira exposição de uvas de Garibaldi com o seu champanhe. E a partir daí, a história da empresa começou a prosperar.

Dar o nome do filho à vinícola deu sorte. Nas mãos de Armando, a Peterlongo cresceu. Passou a fabricar em grande escala e a aprimorar ainda mais a qualidade dos produtos. Foi a primeira vinícola brasileira a empregar mulheres e a empresa pioneira na região a pagar o salário mínimo aos trabalhadores, nos anos 1930.

A elegância do 1º Champagne do Brasil aliada ao seu alto padrão de qualidade, tornaram a marca Peterlongo obrigatória em solenidades oficiais, batismos de navios e aviões, na década de 30. A bebida estava sempre presente em banquetes oferecidos pelo governo Getúlio Vargas e foi elogiada até pela rainha da Inglaterra, Elizabeth, ao visitar o Brasil.

Em visita ao Brasil, a Rainha Elizabeth experimentou o champanhe Peterlongo e aprovou
Em visita ao Brasil, a Rainha Elizabeth experimentou o champanhe Peterlongo e aprovou

O Centenário em 2015
Hoje, quase um século após sua fundação, a Vinícola Peterlongo é referência no cenário vitivinícola nacional e modelo de pioneirismo e de amor à cultura da uva e do vinho. Além da excelente aceitação de seus produtos no mercado brasileiro, a Peterlongo vem conquistando cada vez mais a preferência do consumidor em diversos países. Atualmente, a marca Peterlongo está presente em países como África do Sul, Colômbia, Estados Unidos, Japão e Panamá. E para isso, estão sendo preparadas diversas comemorações. Entre elas, uma linha de champanhes e espumantes colecionáveis. E também, um grande brinde, no mês de outubro, reunindo as pessoas que contribuíram com os 100 anos da empresa.

As barricas da Peterlongo são inspiradas no modelo alemão
As barricas da Peterlongo são inspiradas no modelo alemão       Foto: Igor Amaral

“A história da família Peterlongo é a personificação desse sonho de artífices, dessa jornada secular de magia e encantamento que permeiam a elaboração da bebida. Uma história que juntou o aprendizado do método de produção tradicional, a contemporaneidade de pensamento de homens com uma visão de negócio e de sociedade muito avançada desde que chegaram à Serra Gaúcha, no final do século XIX. E nós precisamos ter isso muito presente agora, pois a Peterlongo é um patrimônio social, cultural e produtivo que projeta um futuro brilhante”, afirma Luiz Carlos Sella, que há 13 anos é um dos sócios que adquiriu o Estabelecimento Vinícola Armando Peterlongo S/A e sanou suas dívidas com credores e retomou o rumo do crescimento.

No início da visita, fomos recebidos com salama e queijo. Tudo com um requinte gourmet, mas mantendo o sabor da tradição serrana
No início da visita, fomos recebidos com salame e queijo. Tudo com requinte gourmet, mas mantendo o sabor da tradição serrana. (Foto: Igor Amaral)

Roteiro do Champagne
Toda a história pode ser conferida em uma visita à Vinícola. Os tursitas da Peterlongo podem conhecer a estrutura do castelo onde a família ergueu seu império, com o charme noturno, ou até mesmo durate o dia. A visitação guiada dura em média 50 minutos e, neste período, é possível reviver a história da elaboração do 1º Champanhe do Brasil.

Durante a harmonização, a chef Janete Camelo serviu Codorno desossada em cama de polenta com provolone
Durante a harmonização, a chef Janete Camelo serviu Codorna desossada em cama de polenta com provolone  Foto: Igor Amaral

A visitação está disponível a todos os interessados. O agendamento de horários pode ser feito pelo fone (54) 3462-1355 ou através do e-mail eventos@peterlongo.com.br

Fechando a harmonização, mousse de rosas com calda de frutas vermelhas Foto: Igor Amaral
Fechando a harmonização, mousse de rosas com calda de frutas vermelhas Foto: Igor Amaral
O Champanhe Elegance Brut foi destaques da harmonização, servido com codorna desossada em cama de polenta com provolone
O Champanhe Elegance Brut foi destaques da harmonização, servido com codorna desossada em cama de polenta com provolone

Garibaldi/RS
www.peterlongo.com.br
Rua Manoel Peterlongo Filho, 216
Fone: (54) 3462-1355



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