O mercado das cafeterias gourmets cresce em todo o mundo, e no Brasil, surpreendentemente, isso só começou a acontecer há muito pouco tempo, se você pensar que somos o maior produto mundial do grão torrado desde sempre. Como consumidores, no entanto, sempre tivemos acesso só aos produtos mais básicos.

Custando entre 1.200 e 2.000 dólares o quilo, o café Civet – conhecido pelo nome indonésio Kopi Luwak  – é a iguaria mais celebrada entre os fãs da bebida negra e quente. Muita gente costuma torcer o rosto quando fica sabendo a origem da colheita destes grãos, mas basta experimentar a delícia que a má impressão se esvai em segundos.

O mamífero Civeta

O mamífero Civeta – muito semelhante a um gato e originário da Oceania e Ásia – se alimenta do fruto do cafezeiro e seu sistema digestório não consegue aproveitar as sementes, que são eliminadas em suas fezes. E é este grão que será colhido, limpo e depois torrado. O processo que acontece dentro do animal modifica quimicamente o café.

Os produtores holandeses de café Civet comeram suas produções há cerca de 200 anos sem saber que ganhariam na loteria ao implantar suas plantações justamente onde estes mamíferos eram nativos. Eles não tiveram pudor em coletar os grãos intactos e experimentar o café proveniente deste fato inusitado.

E não é que ficou maravilhoso? É claro que foram feitos diversos testes sanitários e químicos antes de se iniciar uma produção industrial da variedade. É perfeitamente seguro à saúde, nem tanto ao bolso, mas um apreciador de café, se tiver condições, deve ao menos provar a iguaria uma vez na vida.

Se você ficou com um pouco de nojo, saiba que este não é o único alimento de origem animal incomum. Existem queijos que são feitos com enzimas retiradas do estômago de cabras, o mel – tão comum – não passa do equivalente ao vômito das abelhas. E o figo, fruta deliciosa, é o resultado da decomposição de insetos dentro da flor da figueira.

Deixe o preconceito de lado e experimente esta maravilha. Você não vai se arrepender!



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