Na fria e úmida Hungria, em meados do século XVII, um padre teve que deixar suas uvas nas parreiras por mais tempo do que gostaria. Ele temia um ataque turco e colheu as frutas quando já tinham sido envolvidas pelo fungo Botrytis cinérea. O que parecia ser a ruína se revelou uma bênção. Um sumo doce e sendo que resultaria num precioso vinho, o tokaji, um dos primeiros para servir com sobremesas. Nem todos os vinhos de sobremesa são produzidos a partir de uvas botritizadas. Há também os feitos com uvas apenas colhidas tardiamente. A mesma parreira que produz uvas suficientes para uma garrafa de 750 ml de vinho comum só consegue encher um copo de 250 ml de sobremesa.

Para que cada gosta desses preciosos vinhos seja aproveitada como se deve, a sugestão é que a garrafa seja posta na geladeira, na parte superior, por três horas, de forma que fique na temperatura de 6 graus Celsius. Num balde com gelo e água fria, a garrafa estará pronta para ser servida em 20 minutos. Os melhores copos para aproveitar todo o aroma e a cor da bebida são pequenos e bojudos, maiores do que os de licor e menores do que os de vinho branco. Os vinhos de sobremesa, com exceção dos espumantes, são bastantes alcoólicos, por isso são embalados em garrafas pequenas e servidos em pequenas doses.

Sugestões de vinhos

As sugestões a seguir são da enóloga Caroline Pozzebon:

Château Doisy Daëne ( Denis Dubourdieu) – Uva: Semillon, Sauvignon Blanc – Região: Bordeaux – Teor alcoólico: 13,5% * Um clássico francês, este Sauternes de cor amarelo-ouro exibe aromas intensos e complexos lembrando frutas secas, mel, compota e especiarias. O açúcar e a acidez são perfeitamente equilibrados, e o sabor é simplesmente inebriante, com persistência longa e de uma textura sedosa. Acompanha sobremesas finas não muito açucaradas como frutas, bolos, tortas de frutas. Evite sobremesas com chocolate.

Don Nicanor Colheita Tardia (Bodegas Nieto Senetiner) – Uva: Sauvignon Blanc, Torrontes, Sauvignon Gris – Teor alcoólico: 15% – Região: Carrodilla – Mendoza * Cor dourada. No nariz aroma bem complexo e concentrado, lembra baunilha, mel e frutas tropicais como laranja, papaia e pêssego. Na boca a estrutura doce confere personalidade e elegância, balanceadas com uma rica acidez.

Justino Madeira 10 anos Doce (Justinos Madeira) – Uva: Negra Mole (70%),Tinta da Madeira (15%), Complexa (10%) e Triunfo(5%) – Graduação Alcoólico: 19% – Região: Ilha da Madeira/Portugal * Degustação: Aroma sugerindo melaço, caramelo e uma característica nota tostada muito típica. Francamente doce na boca, untuoso, com acidez média e final longo e harmonioso. Ideal para acompanhar chocolate negro, queijo e sobremesas à base de café.

Combinações perfeitas Uma dica básica para harmonizar o vinho com a sobremesa é a de que a doçura desta não deve ser maior do que a do vinho, senão a bebida “some” sob o doce.

Veja algumas combinações felizes.

* Espumantes Com sobremesas ácidas, como uma torta de limãoou de maracujá.

* Vinho do Porto Com chocolate e torta de nozes, pecã ou amêndoas.

* Vinhos de colheita tardia e botritizados Com bolos leves, pudins ou tortas de damasco e pêssego.

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