A proibição do oferecimento de sal extra, seja em forma de saleiro ou em sachês, nas mesas de restaurantes e bares de Porto Alegre colocou em pauta um assunto muito polêmico no país: o sal deve ser consumido a gosto do cliente ou do cozinheiro, que prepara o prato de acordo com os padrões culinários?

Já é de conhecimento geral que o excesso de sal causa inúmeros prejuízos à saúde, mas, mesmo assim, o consumo desse tempero vai além das necessidades diárias ainda é muito comum no país. No Brasil, o consumo médio chega a ser o dobro da quantidade aconselhada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Por isso, o Legislativo da capital adotou a medida.

Depois dessa proibição, muito tem se discutido e as opiniões são bem divergentes. João Alberto Cruz de Melo, do restaurante Gabrinus, acredita que a escolha deve ser de quem vai comer: “A gene não precisa de regulamentação. Dessa forma, o estado interfere na decisão das pessoas”, analisou. Ele garante que o restaurante seguirá a legislação.

Diferente de João Alberto, o chef Maurício Olmi, do restaurante Lucca, é a favor da proibição e defende que quem deve regular o sal é o cozinheiro: “No meu restaurante nunca tem sal em cima da mesa. Os pratos partem da cozinha prontos ”. Ele ainda diz que, muitas vezes, o cliente acaba não provando a comida com o tempero original: “Muitas vezes, o cliente acaba, antes mesmo de a comida chegar, colocando azeite, pimenta e outros molhos no prato. Nós queremos que ela sinta o sabor original da comida preparada por nós”.

Jeitinho brasileiro: Para “driblar” a lei e não tirar o “livre-arbítrio” do cliente, alguns estabelecimentos utilizam da criatividade usando o sal na decoração do ambiente. Saleiros—com sal próprio para consumo—e sachês são pendurados em paredes, em lustres, em forma de cortina, o que deixa ao alcance de quem quiser usar. Em alguns lugares as equipes que servem, usam acessórios (como colar, por exemplo) carregando sachês de sal, facilitando a entrega para o cliente que pedir.

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