Capa do livro Queijo Artesanal Serrano

Queijo artesanal serrano, obra e exposição fotográfica que valorizam o produto ligado à identidade cultural dos Campos de Cima da Serra, têm destaque no Espaço Cultural Correios da capital gaúcha, a partir do dia 10 de agosto

Uma trajetória que se inicia no tempo dos tropeiros e da chegada dos imigrantes açorianos e hoje alcança a condição de iguaria de sabor marcante, utilizada por grandes chefs, e que gera renda para cerca de 3 mil famílias, na região serrana do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Em síntese, essa é temática do projeto “Queijo Artesanal Serrano – Identidade Cultural nos Campos de Cima da Serra”, que engloba o lançamento de um livro e uma exposição fotográfica no Espaço Cultural Correios Porto Alegre (Rua 7 de Setembro, 1020, térreo do Memorial do Rio Grande do Sul). A mostra é aberta ao público e tem visitação de 10 a 25 de agosto, de terças-feiras a sábados, das 10h às 18h. A entrada é franca.

Queijo Serrando. (Foto: Fernando Kluwe Dias)

A edição do livro e a montagem da exposição com cerca de 45 painéis nasceram de um sonho que vem sendo acalentado há cerca de 20 anos: resgatar a história e valorizar o queijo artesanal serrano, produzido há mais de 200 anos nos Campos de Cima da Serra. Em sua fabricação, os únicos ingredientes utilizados são o leite cru (sem pasteurização), o coalho e o sal, não havendo a adição de nenhum tipo de fermento lácteo industrial, corante ou outro aditivo. O saber-fazer do queijo vem sendo passado de geração em geração por produtores que exploram a pecuária de corte em pequenas e médias propriedades, com o uso da mão de obra familiar.

Fernando Kluwe Dias, João Carlos Santos da Luz, Saionara de Araujo Wagner (sentada) e Jaime Eduardo Ries. (Foto: Geo Cereça)

O projeto uniu a veterinária Saionara Araujo Wagner, professora da Faculdade de Veterinária da UFRGS, o zootecnista Jaime Eduardo Ries, da Emater-Ascar/RS, e seu colega, também veterinário, João Carlos Santos da Luz. Eles abraçaram a ideia e se uniram ao fotógrafo Fernando Kluwe Dias e ao jornalista Ricardo Bueno, da Alma da Palavra, com o intuito de divulgar essa trajetória recheada de história, cultura e tradição – e um sabor inigualável. Além dos painéis com fotografias do livro, a exposição inclui material multimídia, com registros dos bastidores da produção da obra, bem como vídeos e reportagens sobre o queijo artesanal serrano.

As origens do queijo artesanal serrano remontam à colonização açoriana e aos primeiros tempos da ocupação do território gaúcho. Sua receita teria sido trazida por esses imigrantes, por volta dos anos 1700, em plena época de disputas entre portugueses e espanhóis. Estava em curso o chamado ciclo do tropeirismo. Nas idas e vindas para o litoral catarinense, descendo e subindo serras íngremes e terrenos inóspitos, os tropeiros conduziam tropas de mulas equipadas com bruacas acanastradas recheadas de queijo serrano, charque e pinhão, que eram trocados por insumos e ferramentas inexistentes nos Campos de Cima da Serra.

Gado de corte e terroir – Atualmente, são cerca de 3 mil produtores de queijo artesanal serrano em 16 municípios do Rio Grande do Sul e outros 18 de Santa Catarina, os quais têm no produto importante participação na geração de renda familiar. Além do leite ser extraído de animais de raças de corte, não especializados, o clima, o solo, a altitude e a vegetação dos Campos de Cima da Serra constituem um ambiente natural peculiar, um terroir fundamental para as características do queijo serrano.

Em paralelo, o queijo artesanal serrano está ligado à cultura e ao jeito de ser do serrano, com hábitos e práticas que o diferenciam em relação aos gaúchos de outras regiões. Nos Campos de Cima da Serra, aprecia-se mais o café passado na hora do que o chimarrão. A música regional, bem como os torneios de tiro de laço, realizados nos finais de semana, dividem espaço com uma gastronomia genuína, em que se destacam o uso variado do pinhão e o doce de gila (fruta pouco conhecida fora da região e que se parece com uma melancia), além, é claro, do queijo serrano e do tradicional churrasco.

Esse saboroso produto, carregado de tradição e história, tem conquistado a admiração também de protagonistas da alta gastronomia, como o chef Carlos Kristensen, que comanda o restaurante Um Bar & Cozinha, em Porto Alegre, e utiliza o queijo artesanal serrano, adquirido diretamente dos produtores, em diferentes receitas.

O queijo artesanal serrano, assim como outros produzidos a partir de leite cru, passa por um momento de valorização, mas, ao mesmo tempo, de desafio, pois ainda carece de uma regulamentação específica que permita sua comercialização e transporte fora da região produtora. Por enquanto, a melhor alternativa para descobrir seu sabor é subir a Serra e degustar o queijo, as paisagens e os roteiros turísticos, que são um atrativo irresistível para quem aprecia cenários exuberantes e o ambiente rústico do campo.

O projeto “Queijo Artesanal Serrano – Identidade Cultural nos Campos de Cima da Serra” é uma realização do Ministério da Cultura e da Alma da Palavra, com financiamento da Lei Rouanet, patrocínio do Banrisul, BRDE, InBetta, Marelli e Souza Cruz e apoio do Espaço Cultural Correios Porto Alegre.

Livro e Exposição Fotográfica “Queijo Artesanal Serrano – Identidade Cultural nos Campos de Cima da Serra”
Autores: Saionara de Araujo Wagner, Jaime Eduardo Ries, João Carlos Santos da Luz e Fernando Kluwe Dias (imagens).
Período: 10 a 25 de agosto. De terças a sábados, das 10h às 18h. Entrada franca.
Local: Espaço Cultural Correios – Rua 7 de setembro, 1020, térreo do Memorial do Rio Grande do Sul (entrada pela Rua Sepúlveda)
A obra estará à venda durante a exposição por R$ 50. Edição limitada.



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here