Foto: Sabina Fuhr

Abastecidas pelas águas do Rio São Francisco, vinícolas investem na produção de vinhos de qualidade em meio à caatinga.

Semiárido nordestino é dono de um sol incessante que raramente recebe a visita da chuva. Mas é exatamente no clima castigante que reside à força da produção vinífera da região. Há quatro décadas, era impensável, por exemplo, que o Sertão nos arredores do rio seria um pólo produtor não apenas de frutas para exportação, mas também de vinhos de qualidade.

Parreiras no Vale do São Francisco

Atualmente, a área, utilizando um sistema de irrigação por gotejamento com as águas do Velho Chico, produz quase três safras por ano, sendo a segunda na produção de vinhos nos no Brasil, elaborados a partir de uvas vítis viníferas, também conhecidas como europeias. Nas vinícolas gaúchas, por exemplo, as parreiras frutificam apenas uma vez ao ano.

No Vale do São Francisco, os vinhos são produzidos nas vinícolas instaladas nos municípios pernambucanos de Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista (Rio Sol, Adega Bianchetti, Vinícola Botticelli, Vinícola Terroir de São Francisco/Garzieira e Château Duccos) e no de Casa Nova, na Bahia (Vinícola Ouro Verde).

A maior vinícola de Pernambuco

Rio Sol é a maior vinícola de Pernambuco. (Foto: Sabina Fuhr)

A Rio Sol é a maior vinícola de Pernambuco. Pertence a Global Wines, com sede na região do Dão, em Portugal. A empresa chegou à região no começo dos anos 2000 e se instalou em Lagoa Grande, a 53 quilômetros de Petrolina, cidade pernambucana às margens do São Francisco.

Sede da Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

Quando chegaram poucos apostavam que as terras vermelhas, o clima seco e as altas temperaturas fossem capazes de gerar uvas viníferas.

No São Francisco há quase três safras de uva por ano. (Foto: Sabina Fuhr)

Hoje, entre vinhos e espumantes por ano, são 1,3 milhão de litros. Nos 160 hectares plantados, as parreiras produzem 25 tipos de uvas, como Cabernet, Aragonês, Tempranillo e Chenin Blanc.

Tanques de aço inox utilizados para produção de espumante pelo método charmat. (Foto: Sabina Fuhr)

Além do consumo doméstico, há exportação para Portugal, Inglaterra, Holanda, Estados Unidos e Canadá.

Setor de engarrafamento da Vinícola Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

Numa área de 200 hectares ficam situadas as plantações, a fábrica e a adega onde os vinhos descansam em barris de carvalho francês.

Espumante é o Carro Forte

Os principais rótulos da Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

Os vinhos Rio Sol agora estão divididos em cinco linhas de produtos: Premium, Reserva, Varietal, Espumante e Cotidiano.

Espumante Rio Sol Rosé. (Foto: Sabina Fuhr)

Esta mudança teve como objetivo categorizar os produtos e facilitar para o consumidor identificar suas preferências.

Outra novidade é que dentro deste processo, alguns vinhos ganharam novas denominações, a exemplo do Paralelo 8 que agora passa a chamar Rio Sol Premium e dos vinhos Winemakers, que receberam a denominação de Gran Reserva.

Cave das bordalesas da Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

Atualmente, 60% das uvas destinam-se à fabricação de espumantes – que acabam sendo os vinhos brasileiros de maior prestígio internacional.

Lindas paisagens dentro da sede Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

O restante divide-se entre vinhos jovens e os chamados vinhos de maturação, que representam 6% da produção da vitivinícola.

O diretor Técnico da vinícola, Ricardo Henriques. (Foto: Sabina Fuhr)

Com mais de 300 dias de sol por ano, explica o diretor Técnico da vinícola, Ricardo Henriques, os funcionários simulam períodos de hibernação, ao causar um choque hídrico nas parreiras, afim de renová-las para a safra seguinte.

Assim conseguem obter as quatro fases da parreira, de acordo com as estações do ano: hibernação, florescimento, colheita e poda.

Passeio pela vinícola

Rio São Francisco. (Foto: Sabina Fuhr)

Para conhecer às fazendas, a melhor opção são os pacotes oferecidos por agências, tipo a Vale Turismo, que incluem, além da visita à vinícola, almoço e passeio pelo São Francisco.

Prédio onde acontecem os almoços e eventos da Rio Sol. (Foto: Sabina Fuhr)

No roteiro mais simples, a Vale Turismo oferece nos finais de semana um tour de oito horas, que inclui visita aos parreirais da Rio Sol, à adega e à fábrica na Santa Maria.

Na segunda parte do passeio, uma degustação de alguns vinhos e espumantes a bordo de um catamarã pelas águas do São Francisco, com direito a uma parada para banho.

Carne de bode. (Foto: Sabina Fuhr)

 

Molho de Pimenta Chef Guimarães dão um toque na comida. (Foto: Sabina Fuhr)

Os visitantes retornam para a vinícola, onde são recebidos com almoço regional, onde não falta pratos com carne de bode, acompanhado de um vinho ou espumante da Rio Sol.

Rota dos Vinhos Mercure

À convite da rede de hotéis Accor, que desenvolve a campanha Rota dos Vinhos Mercure, jornalistas do Sul, entre elas, a editora da Revista Sabores do Sul, Sabina Fuhr, esteve conhecendo o Vale do Rio São Francisco.

A campanha tem como objetivo promover a cultura e os costumes das cidades onde estão instalados os hotéis Mercure, um dos mais famosos da rede. Uma série de TV intitulada Rota dos Vinhos – e protagonizada pela apresentadora Titi Müller, do canal Multishow fazem parte da ação.

 



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