Com mais de sete décadas de trabalho, Raul Randon está em plena forma. Comandando um dos maiores impérios empresariais do Rio Grande do Sul, o empresário continua esbanjando seu talento para os negócios.  Hoje ele já não comanda mais o Grupo Randon, mas segue bebendo da fonte do empreendedorismo: produz queijos, vinhos, maças, derivados lácteos, acetos. Inquieto, segue ampliando a carta de produtos oferecidos pela Rasip e Rar, braços do grupo voltados para produção alimentícia. A novidade da empresa são presunto e salames, além dos novos rótulos de vinho. Entre os destaques do catálogo da empresa estão os queijos grana Padano, Parmigiano e pecorino; o espumante Cuvée Nilva e Sauvignon blanc da linha.  Cheio histórias para contar e muita sabedoria, tanto empresarial quanto de vida, seu Raul conversou com a Revista Sabores do Sul.

Aos 87 anos, muitos empresários já estão aposentados, colhendo os frutos do trabalho. Mas o senhor segue ativo, trabalhando incansavelmente. Qual o segredo para toda essa vitalidade e paixão pelo trabalho?

Exatamente a paixão pelo trabalho e gostar do que se faz. Manter a rotina de trabalho, mesmo que com uma carga menos rigorosa, é saudável, nos mantêm vivos e atuantes. Nos obriga a nos atualizarmos.

Em quais projetos o senhor tem se envolvido ultimamente?

A Randon está profissionalizada com executivos qualificados. Eu continuo na presidência do Conselho de Administração, cumprindo minhas funções. Na Rasip Alimentos, igualmente mantenho uma rotina de reuniões, recebo clientes, mostro as instalações, porque o mercado externo tem regras bem definidas e rigorosas quanto a processos de produção e exigências sanitárias e isto fica bem visível nas unidades em Vacaria. Quem gosta de empreender até mesmo em viagem de turismo mantém o olhar nos negócios e nas oportunidades. E assim a gente vai crescendo, buscando novidades para agradar o cliente.

A sua história apresenta vários episódios de superação. A primeira empresa do senhor, que fabricava máquinas impressoras, sofreu um incêndio. Em 1982, a Randon pediu concordata preventiva. Em algum destes momentos você pensou em desistir?

Nunca. No mundo dos negócios, tem que ter serenidade para enfrentar as dificuldades. Não se constrói nada só com glórias. Estes episódios ensinam a gente e reforçam a persistência. Na área da agricultura, por exemplo, este olhar tem que ser ainda mais exercitado, porque dependemos da variável do tempo. Às vezes, olhamos para o céu pedindo chuva. Outras, pedimos para parar de chover. A tecnologia é uma aliada da produtividade, traz resultados, mas não faz chover, nem parar de chover exatamente na época do plantio ou da colheita.

Linha de produtos, como maçã, azeite e queijo, faz parte dos novos negócios do empresário. Crédito: João Carlos Lazarotto/Divulgação

Hoje, além da produção de equipamentos para o transporte, o senhor também dedica esforços para a produção de queijos, vinhos, maçã e outros produtos da mesa. Como ocorreu essa migração de negócios?

Oportunidade. É preciso estar sempre atento e olhar bem longe. Na época, havia oferta de crédito para o reflorestamento e entendemos que era hora de plantar. Optamos pela maçã. Passamos de 200 hectares há mais de 35 anos para 1,1 mil hectares atualmente.

Só que não foi uma migração. A Rasip é um negócio independente da Randon S.A que fabrica equipamentos para o transporte.

O seu primeiro rebanho veio em dois boeings dos EUA. De onde surgiu a ideia de importar novilhas?

A gente está sempre se inspirando em modelos vencedores e sabemos que é preciso fazer tudo bem feito. O veterinário que nos dava assistência naquela oportunidade recomendou importar dos Estados Unidos, porque lá estavam matrizes de melhor genética para produzirem mais leite. E, também, porque, na época, o real estava no mesmo valor do dólar. Por garantia, avaliamos e vimos que valia a pena trazer estes animais pela nossa Varig. E assim foi feito. O fato gerou notícia, porque envolveu uma grande logística. Hoje, nosso rebanho é qualificado graças ao fato de termos começado bem.

Teremos novidades no ramo gastronômico para os próximos meses?

Sim. Acabamos de lançar dois novos rótulos de vinhos, temos uma loja muito bem estruturada de produtos fabricados por nós e importados, a Spaccio RAR, e já estamos começando a comercialização de presunto e salame importados.

Quais são as principais diferenças que você sente ao atuar no setor de transportes e no setor gastronômico? Qual é mais prazeroso?

Não tenho preferência. Gosto igualmente de ambos porque os dois foram escolhas de negócios baseados na necessidade de mercado, vontade de trabalhar, conviver com as pessoas e se empenhar para dar tudo certo. Tenho uma grande equipe de trabalho. Digo sempre que as pessoas precisam trabalhar felizes já que a dignidade vem do trabalho e do que ele proporciona.

A Rasip é considerada uma das maiores produtoras de maçãs do Brasil. Crédito: João Carlos Lazzarotto/Divulgação

À mesa, o que mais gostas de comer?

Eu gosto de tudo. A terra é muito generosa e produz um bom alimento. Claro que a origem italiana me influencia a gostar muito do macarrão, dos queijos e dos galetos. Mas qualquer comida bem feita, bem temperada e bem servida na mesa me deixa alegre. O churrasco, claro, está sempre presente, até porque, mais do que uma comida, é um agregador em torno do qual reunimos amigos. A comida, de modo geral, desempenha este papel.

Nos momentos de lazer, quais são as atividades preferidas?

Estar com a família, com os amigos, com os clientes que invariavelmente se tornam amigos. De preferência em torno de uma boa mesa. Um jogo de carta também é bem-vindo.

Em épocas de crise, como o empresário tem de se comportar diante do mercado?

Com serenidade e com bom senso para enfrentar as crises e administrá-las corretamente, visando a sobrevivência da empresa e dos empregos das pessoas. Quanto mais a gente cresce como empresário, mais aumenta a responsabilidade com quem trabalha contigo.

Da vida, o que o senhor espera?

Saúde e mais tempo para empreender e conviver com quem a gente gosta e que gosta da gente. Para tu viveres bastante vem em primeiro lugar a família e amigos que lhe proporcionam viver uma vida alegre. Segundo pesquisa feita por americanos, é isto o que leva a gente a viver mais.

Com mais de 7 décadas de trabalho, qual foi o maior ensinamento que a vida lhe proporcionou?

Que a vida é um presente que a gente ganhou de graça e que, por isto, é preciso viver bem. Ser leal com os verdadeiros amigos. Ouvir as pessoas. Dar boas risadas. E trabalhar com amor e dedicação.



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