Na próxima terça-feira, a TV Bandeirantes exibe a final do Mastechef Brasil 2015. Disputam o primeiro lugar do reality show, Izabel e Raul. Sucesso nas redes sociais, o programa bateu recordes de audiência e revelou figuras carismáticas que vão além de cozinha. É o caso de Lucas Furtado, um dos mais jovens concorrentes desta edição. O paulistano de São Roque tem apenas 25 anos e muita história para contar. Acusado de roubo aos 19 anos e preso aos 23, Lucas afirma já ter pesado 160kg. Hoje, com muitos quilos a menos, o jovem cozinheiro é só esperança. Depois de ser sair do Masterchef em uma das eliminações mais emocionantes da temporada, com direito a choro da durona chef Paola Carosella, Lucas renovou seus projetos e sonhos. Com estágio garantido no restaurante Arturito, da jurada argentina, ele conversa com a Revista Sabores do Sul, fala sobre suas influências na cozinha e aposta: Izabel será a vencedora da competição.

Como surgiu o teu interesse pela culinária?

Sempre gostei de cozinhar, na verdade, parece que o mundo sempre esteve disposto a mostrar que o que eu tinha que seguir era o caminho da cozinha, mas eu lutei contra, por muito tempo. Além da minha tia, por volta dos meus 7 anos, meu pai começou a fazer coxinha depois de perder o emprego, logo depois ele começou a trabalhar como churrasqueiro e hoje tem uma empresa de churrasco. Há algum tempo, minha mãe começou a fazer marmitex após 20 anos trabalhando como enfermeira. Sem contar que, ainda criança, morava do lado de uma padaria aonde eu passava o dia inteiro observando a Dona Maria Caparelli cozinhando, aliás, foi ela que falou que eu poderia ser um cozinheiro quando crescesse, acho até que ela era vidente. E quando chegou a hora de escolher o caminho profissional eu continuei teimando com o mundo e acabei indo para exatas, mas chegou uma hora que não dava mais para contrariar o mundo e aí escolhi a cozinha.

Diz o ditado: “Casa de ferreiro, espeto de pau”. Você costuma preparar algo em casa, ou é do tipo que não quer nem saber de cozinha de casa? O que você não gosta de preparar e por quê?

Dificilmente cozinho em casa, sou o rei do misto quente, só derreto o queijo e jogo no meio do pão. Tenho mais prazer em fazer comida para os outro do que para mim mesmo, um lance meio “rotaryano”. Uma coisa de prazer em servir.

Você cursava Engenharia, certo? Desistiu porquê?

Pois é, eu estava no quarto ano de Engenharia de Produção, mas já estava decidido a largar a faculdade e o trabalho para ir para o caminho da gastronomia. O MasterChef foi só um degrau e uma desculpa para eu falar para minha mãe que queria largar tudo e correr atrás do meu sonho. E hoje ela me apoia muito nessa decisão.

E como foi o caminho até chegar aos Masterchef?

MasterChef é uma coisa muito doida para mim. Eu sempre assistia Reality Shows culinários na TV. Além das versões internacionais de MasterChef, sempre assisti muito a Top Chef e Hell’s Kitchen e sempre dizia que um dia eu estaria lá. Quando mais novo, pensava até em ir embora do país para tentar participar de algum. Assim que vi que o programara teria uma versão nacional eu corri para me inscrever, mas as inscrições para a primeira temporada já haviam acabado, fiquei de olho esperando pela segunda temporada e dessa vez não bobeei, me inscrevi logo de cara.
Não esperava ser chamado, até achei que era um trote quando me telefonaram chamando para a primeira etapa dos testes. E assim foi indo, teste após teste. Até chegar na prova do avental. Para falar a verdade, só caí na real que estava no MasterChef quando me vi na TV mesmo. Isso foi uma coisa muito doida.

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Crédito: Divulgação TV Bandeirantes

Como foi o teu relacionamento com os três chefs/jurados do programa?
O relacionamento com os três jurados é muito impessoal, na verdade, tem que ser assim para as avaliações serem sempre imparciais. Mas sempre os admirei muito. O único contato que tínhamos era durante as gravações mesmo, naquele período de cozinhar. Tanto, que só consegui conversar com a Paola Carosela após a minha eliminação na TV.

A tua eliminação foi uma das mais emocionantes do programa. A que você credita isso?
Eu credito isso ao fato de eu ter sido eu mesmo, não vesti nenhum personagem. Acho que as pessoas se identificaram com essa espontaneidade, de falar o que eu penso, de viver brincando, falando palavrão e tudo mais. E quando você vê uma pessoa com quem você se identifica saindo, isso gera uma comoção mesmo. Sem contar que teve o fato da Paola chorar quando teve que me eliminar, acho que o choro é igual o bocejo, é contagiante.

Quais são as suas influências na cozinha?
Eu me inspiro muito na linha da Paola Carosella, que também é muito parecida com a linha Jamie Oliver. Gosto dessa cozinha de terroir, que valoriza a organicidade dos ingredientes, valoriza toda a cadeia de produção de um alimento, que aproveita o alimento ao máximo.

Diga-nos um ou mais pratos que sempre estão presentes na sua vida – e que tem um valor sentimental ao ponto de já ter virado uma tradição na sua mesa.
Um prato que está na presente na minha vida é a panqueca de carne da minha mãe, sem dúvida é melhor que o melhor foie-grass do mundo acompanhado de trufas brancas de Alba. É um prato carregado de sentimentos, é um prato que me faz relembrar a infância, os momentos bons em que o que importava era só me divertir.

Você vai estagiar com a Paola. Nos conta um pouco de como surgiu o convite e quais sãos as tuas expectativas para esse trabalho?
Vou estagiar com ela sim, devo começar em novembro. Esse convite surgiu de uma forma muito inesperada, eu nem imaginava que ele viria. E pra falar a verdade, meu sonho era que isso acontecesse, sempre quis muito trabalhar com ela. Até no programa, eu sempre quis impressionar mais ela do que o Fogaça e o Jacquin. É um lance de identificação mesmo. Esse estágio é o grande passo pra minha vida profissional, vai ser nele que eu vou começar a trabalhar em uma cozinha de verdade, será aonde eu vou aprender como é ser cozinheiro. É uma oportunidade fantástica essa que ela me ofereceu e vou agarrá-la com unhas e dentes, vou descascar batatas, lavar louça, cortar cebola. E é isso que eu quero, quero ralar bastante para aprender a ser um cozinheiro.

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Crédito: Divulgação TV Bandeirantes

Qual o maior desafio para se tornar um chef?
Eu não tenho planos de ser chef, meu plano é ser cozinheiro. Chef de cozinha é apenas um status enquanto você está dentro da cozinha, enquanto você comanda a brigada da cozinha. Para ser um chef, você tem que ser um ótimo cozinheiro, conhecer desde a compósição dos pratos até a logística toda da cozinha.

Quais são os teus planos para o futuro?
Meu plano a curto prazo é trabalhar com a Paola para absorver o máximo de conhecimento que eu puder, enquanto isso, pretendo realizar alguns eventos para poder me manter em São Paulo, trabalhar como “Personal Cook” aos finais de semana. E ir crescendo na cozinha, posto a posto até conhecer tudo. Depois pretendo ir para a Europa para aprender ainda mais e até os 30 anos, ter meu próprio restaurante.

Falando sobre o Masterchef, qual foi o momento mais tenso do programa para ti?
O momento mais tenso foi a prova do porco, quando passamos de 35 para os 18 que entraram no programa. Eu fiquei na penúltima fileira a ser chamada, éramos 7 pessoas e haviam só duas vagas. Sem contar que já havíamos ficado o dia inteiro esperando. A hora que a Paola disse o: “Nem desce, vai direto pra la´” eu não consegui segurar e saí correndo desesperadamente pra comemorar.

E aquele de maior alegria?
O de maior alegria pra mim foi exatamente esse, foi quando eu percebi que estava entre os 18 e que havia entrado no programa. Teve a sopa de cogumelos também, que foi o que mostrou que eu estava no caminho certo. Foi muito bacana ter ouvido todos aqueles elogios.

Qual o maior aprendizado que você leva do reality show? Levou alguma amizade para fora do programa?
O maior aprendizado é sempre fazer o que me faz feliz, eu tinha um trabalho super tranquilo, trabalhava das 8h00 às 17h00 de segunda a sexta e ganhava relativamente bem por isso. Hoje ganho menos do que ganhava, trabalho as vezes das 6h00 até as 2h00 do outro dia e nunca me senti tão bem. E fiz amizades muito boas que vou levar para a vida. Principalmente com a Carla, essa é minha mãezona, parceira para todas as horas. Falo até que o maior prêmio que eu ganhei no MasterChef foi tê-la conhecido. Eu gosto muito dela.

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Crédito: Divulgação TV Bandeirantes

A final será entre Raul e Izabel, quem você acha que leva a melhor?
É um páreo duro, mas eu acho que fica pra Izabel.

 



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