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(Crédito: Divulgação)

Chef Geo Bassani Lima partiu do Brasil em busca de um futuro melhor e se tornou referência na alta gastronomia londrina

A história de Geo Bassani, gaúcho de Porto Alegre, poderia ser só mais uma entre tantas dos brasileiros que cruzam fronteiras em busca de novas oportunidades. Mas não é. Em 2008, ele largou a faculdade de Educação Física e uma possível carreira como jogador de futebol e partiu para a Terra da Rainha. De mala e cuia, como ele mesmo gosta de dizer. Lá, ele inverteu os polos: o hobby de cozinhar virou profissão, a profissão de jogador, hobby. Criado numa família com raízes italianas, lógico, que cresceu entre massas, polentas e todas as delícias típicas. Bassani queria aprender mais sobre a nova cultura gastronômica em se inseria e foi o que fez. Durante o dia, trabalhava num Fish and chips, local comum na Inglaterra que vende peixe com batata-frita, à noite, Bassani expandia seus conhecimentos em um restaurante brasileiro, como auxiliar de cozinha. Entre aprendizados e descobertas, Geo foi contra-atacando os desafios, adentrou a grande área e, em 2015, marcou um golaço: foi eleito um dos 50 melhores chefs da Inglaterra.

Hoje, ele comanda o The Hampton Pub, premiado pelo Good Food Award, um restaurante em que o chef mistura influências da cozinha italiana, brasileira e inglesa. À frente da casa desde 2014, ele assumiu o desafio reverter a imagem de ser um dos piores restaurantes do Sudeste da Inglaterra. “Quando cheguei lá eu pensei: pior do está, não fica”, conta Bassani. Para mudar o conceito, o chef foi implantando um cardápio que carregava sua experiência, misturando clássico ingleses com roupagens diferentes e, principalmente, baixou o preço. Com valores menores que a concorrência e sabores diferentes, não deu outra, foi sucesso. Claro que, fazer com que um dos piores restaurantes do país se tornasse reconhecido, não foi instantâneo, Geo manteve por um ano a sua aposta. “Um dos nossos segredos para ter preço atrativo e qualidade é manter uma boa relação com os fornecedores. Procuro produtores locais, que estão interessados no meu sucesso e investem no meu restaurante”, revela o chef.

Chef cria pratos com múltiplas inspirações e faz sucesso na Terra da Rainha (Crédito: Divulgação)

Menu com toque brasileiro

O restaurante oferece 7 entradas, 8 pratos quentes e 7 sobremesas. Para agradar o paladar, opções vegetarianas, sem lactose e peixes. O mais pedido é aquele que reúne as âncoras da cozinha pluriétnica de Bassani: Picanha com polenta frita, brócolis, tomate cereja e molho chimichurri. Do Brasil, também vêm os ingredientes de outro prato que é famoso no Hampton: um escondidinho, com purê de champignon com alho-poró e castanha-do-Pará. Servido numa cumbuca, coberto por pão ralado.  Bassani explica que a origem do sucesso de pratos com ingredientes de diferentes países é a curiosidade. “A tendência, hoje, no exterior é de provar e explorar cozinhas diferentes, que as pessoas não têm acesso diariamente. E aguço isso na minha clientela, usando meu conhecimento de comida brasileira”, relata o chef que complementa “Não adiantar eu colocar aquilo que eu não sou dentro do prato, a comida não mente. Eu só coloco no prato aquilo que me representa, o que sou”.

Brasileiro ainda pretende abrir um novo restaurante em Londres (Crédito: Divulgação)

Para o futuro, Bassani pretende abrir um segundo restaurante na Inglaterra. A ideia é ter uma casa nova, diferente e buscar a tão sonhada Estrela Michelin. O cardápio mais refinado, seguindo as características de sua carreira, vai buscar atingir novos clientes, sobretudo turistas. Bassani, hoje, é um homem orgulhoso de seu caminho, embora jamais esqueça todos os problemas enfrentados em todos os degraus de sua carreira. “Aprendi a valorizar tudo que estava acontecendo no meu dia-a-dia e criar minha própria independência. Já pensei em desistir muitas vezes, em que a saudade da família, o tempo frio e chuvoso e a diferença cultural me colocaram muitas dúvidas em relação ao meu futuro na Inglaterra. Porém, eu tinha muita vontade e determinação para ir atrás dos meus sonhos” conta.

Se valeu a pena? “Olhando para trás, eu me sinto realizado, pois ao sair do Brasil, a minha intenção era ser reconhecido pelo meu trabalho. O caminho foi muito árduo, com muito esforço e aprendizado e agora, depois de 9 anos eu estou começando a colher os frutos de todo esse tempo que eu dediquei a arte da gastronomia” orgulha-se Bassani.

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